Carlos Sorín transforma mais uma história pequena em grande filme

Sutil e delicado, ‘Filha Distante’, que estreia nesta quinta (28), trata sobre a viagem de um ex-alcoólatra à Patagônia para tentar se reaproximar da filha

"Eu gosto das estruturas que não hostilizam o público, que não lhe dão tudo mastigado", afirma Sorín. - DIVULGAÇÃO
“Eu gosto das estruturas que não hostilizam o público, que não lhe dão tudo mastigado”, afirma Sorín. – DIVULGAÇÃO

Diretor de Histórias Mínimas (2002) e O Cachorro(2004), o argentino Carlos Sorín volta às telas do Brasil a partir desta quinta-feira (28) com o longa-metragem Filha Distante. Da mesma forma que fez com seus dois filmes mais famosos, o cineasta repete a simplicidade com que conta uma história de certa forma banal, com profundidade e beleza.

Nos filmes de Sorín, nada vem de mãos beijadas ao telespectador. A impressão que se tem ao ver tantoHistórias MínimasO Cachorro quanto este novoFilha Distante é que o diretor confia que o público é capaz de interpretar suas histórias humanistas de acordo com o background de cada um. Ele deixa reticências para que o próprio espectador imagine o que lhe convém.

Ao periódico espanhol El País, Sorín assumiu essa característica: “Eu gosto de dar apenas a informação imprescindível para que o espectador siga o filme em sua cabeça, em função de sua sensibilidade, de sua experiência pessoal. E construa seu próprio filme. Eu gosto das estruturas que não hostilizam o público, que não lhe dão tudo mastigado”, declarou.

Filha Distante conta a história de Marco (Alejandro Awada), um vendedor e alcoólatra em reabilitação que sai de Buenos Aires rumo à Puerto Deseado, na Patagônia, para pescar, fazer um pouco de turismo e visitar a filha Ana (Victoria Almeida), que não via há anos. Ele nem sequer sabe onde ela mora, tem apenas seu antigo endereço.

A ausência completa durante tanto tempo fez com que Marco se surpreendesse ao ver a filha adulta, casada e mãe de um bebê. Tudo o que ele quer é mudar de vida e ser aceito novamente pela filha. Uma das melhores cenas do filme é a de Marco relembrando, na mesa do jantar, Che Gelida Manina,ópera de Giacomo Puccini que cantava quando Ana era criança. Lembranças se fazem doces.

O homem, visivelmente solitário, quer apenas deixar o passado e os males que fez para trás. Ele só quer restagar a relação com a filha e a escolha por um novo hobby (a pesca) seria uma espécie de terapia para sua reabilitação.

Mas essas situações – a família, o vício, a solidão – não são fáceis. Tampouco pescar é fácil. Ele não sabia que para fisgar um tubarão, era necessário mais do que uma pequena carretilha. Até agora, suas tentativas foram frustradas, mas é preciso viver um dia depois do outro e, como na pesca, ter paciência.

por Xandra Stefanel

Fonte: Rede Brasil atual

Leave a Response