Diário da Bolívia 2012

Fonte: cartamaior.com.br | Foto: Google
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Quando o Che escolheu a Bolívia para instalar sua frente guerrilheira, sabia que estava optando pelo coração do continente. Foi da mesma região de Cochabamba em que ele atuou, que surgiu a nova liderança popular boliviana, na figura do Evo Morales.

A Bolívia viveu, já em 1952, uma impressionante revolução nacionalista, que chegou a substituir o Exercito por milícias populares, fez reforma agrária e nacionalizou as minas de estanho. Foi depois o cenário do fracassado projeto revolucionário do Che, antes de sofrer profundo processo de privatizações por governos neoliberais.

A partir do ano 2000, um processo de recomposição do campo popular, com os movimentos indígenas ocupando o lugar do movimento mineiro – desarticulado conforme governos neoliberais praticamente terminaram com a exploração mineira, considerada deficitária. Foram os movimentos indígenas que impediram a privatização da água por uma empresa francesa e, a partir dai, o pais viveu mobilizações populares praticamente continuas, durante 5 anos, que derrubaram a 5 governos por meio de distintas formas de luta, com o protagonismo dos movimentos indígenas e a liderança emergente de um líder indígena cocaleiro, Evo Morales, originário de Cochabamba.

Nas eleições de dezembro de 2005, Evo surpreendeu, ganhando com maioria no primeiro turno, pela primeira vez na historia politica boliviana, apesar da anulação do titulo de milhares de indígenas que não puderam votar.

Ganhou e cumpriu com o essencial do seu programa: nacionalização dos recursos energéticos, convocação de Assembleia Constituinte e início do processo de refundação do Estado nacional boliviano; reforma agrária.

Volto agora, mais de seis anos depois da eleição – que pude, emocionado, presenciar – e da posse de Evo Morales e de Alvaro Garcia Linera, na cidade indígena mais antiga da Bolívia, Tiwanako, junto com Eduardo Galeano, com a consciência que presenciávamos um fato histórico na América Latina.

Para me dar conta da situação do processo político mais significativo que vive a America Latina, com seus avanços, problemas, contradições e tensões construtivas. Vou relatar-lhes, sob forma de Diário, o que poderei presenciar, conversar, ler, viver, nestes dias de 2012, na Bolívia de Evo Morales.

Postado por Emir Sader às 07:15

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