BANCOS PÚBLICOS, UNI-VOS!

LEOPOLDO VIEIRA13 DE OUTUBRO DE 2014 ÀS 19:47

A campanha eleitoral para presidente do país vai entrando “no centro da meta”.

LEOPOLDO VIEIRA

 

Os tucanos são incorrigíveis, não conseguem esconder seus caninos do povo brasileiro. Se Aécio Neves tentou ludibriar a sociedade dizendo que manteria os programas sociais, seus mentores e assessores, seus apoiadores e patrocinadores, não conseguem se conter diante da euforia de imaginá-lo na cadeira da presidenta Dilma Rousseff.

O ex-presidente FHC acusou 41% do eleitorado do primeiro turno de ignorante por ser de baixa renda, dando ênfase aos nordestinos. Um sincericídio impressionante de preconceitos, que fala da alma do PSDB e expõe o porquê do avesso ao Bolsa-Família, às cotas nas universidades, à proliferação de institutos de educação tecnológica, às bermudas em aeroportos e assim por diante. As bolsas e as agências de risco promovem orgias especulativas a depender da variação de Aécio nas pesquisas. Os “mercados” se locupletam num Woodstock de vetos a fulano e sicrano que seria o ministro da economia de um segundo mando de Dilma. Os jornais se assanham e o maior de todos – o complexo Globo – em revista semanal, já usa o pretexto das denúncias de Paulo Roberto Costa e Yousseff para justificar uma eventual privatização da Petrobrás. Armínio Fraga, “ministro da Fazenda” de Aécio Neves, segundo divulgou o jornalista Miguel do Rosário, não se segurou e confessou que os tucanos pretendem explodir a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), num ato tão aloprado quanto a promessa de Serra à Chevron, em 2010, de que entregaria a Petrobrás àquela “irmã”.

Justificativa para a frase “não sei o que vai sobrar” não existe.

O lucro da Caixa Econômica Federal em 2002 era R$ 1,1 bilhão, em 2013 foi de R$ 6,7 bilhões. O do BB, em 2002 era de R$ 2 bilhões, passando, em 2013, a R$ 15,8 bilhões. O do BNDES, em 2002, foi de R$ 550 milhões. Já em 2013, foi de 8,15 bilhões.

Não esqueçamos que, como lembrou o ministro Mercadante, em entrevista recente, “os tucanos já tentaram privatizar a Caixa e o Banco do Brasil quando se encontravam no governo”. Ele lembrou que, em 2000, no fechar da tampa de seus governos, Armínio Fraga foi à Nova Iorque para uma reunião no banco Merryll Linch, aonde levaram um estudo que previa a privatização do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Resgata também que, no “Memorando de Política Econômica”, de março de 1999, apresentado ao FMI pelo governo FHC, afirmava-se que havia sido demandado análise dos bancos públicos federais (BB, Caixa, BNDES, BNB e BASA) “para possível venda de componentes estratégicos ou mesmo a sua transformação em agência de desenvolvimento ou bancos de segunda linha”.

Por que querem privatizar já que não há problemas de gestão?

No caso da CAIXA, o Bolsa Família atinge aproximadamente 56 milhões de pessoas, e foi a base para retirar 36 milhões da pobreza, “cooptados” pelos 20 milhões de empregos gerados. Sem contar as centenas de milhares de moradias do Minha Casa Minha Vida e os milhões de correntistas populares que tendem a se expandir na medida em que se mantém o poder de compra dos salários e cresce o emprego formal.

O Banco do Brasil, além de outros inúmeros projetos, executa os investimentos do Plano Safra, estratégico e crucial para a segurança alimentar do país e a diversificação da produção agrícola. Em 2002, a Safra Agrícola ficou em 97 milhões de toneladas. Em 2013 foi para 188 milhões de toneladas.

O BNDES tem um perfil completamente diferente do que tinha durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, quando o apoio à privatização foi a marca do banco na gestão tucana. Na era petista o BNDES retomou sua missão de fomento e financia 97% das pequenas e médias empresas brasileiros. Antes os grandes beneficiários dos financiamentos do BNDES eram as montadoras de automóveis, hoje a cadeia se diversificou para o setor de alimentos, química e petroquímica, setores ligados à industrialização e segurança alimentar. Desde 2009, o BNDES bate recorde em sua linha de financiamentos às exportações de serviços e bens brasileiros para a América Latina e o Caribe, principalmente para as obras de infraestrutura realizadas por empresas brasileiras.

Paralelamente, o Bradesco e o Itaú anunciam mês a mês seus maiores lucros líquidos de todos os tempos e não deveriam ter motivos para se incomodarem tanto através de seus empregados políticos. Mas é aqui que reside a questão.

Não é que os bancos privados, nacionais e estrangeiros queiram se apossar deste enorme filão da execução dos programas sociais, correntistas populares, pequenas médias empresas, financiamento de grandes empreendimentos na América Latina e das grandes empresas brasileiras ou dos produtores agrícolas. Eles não querem ser pressionados, instados a se planejar para competir, ter que mediar seus spreads e taxas de juros, dispor mais cotas de capital para disputar este mercado. Querem a tranquilidade do subdesenvolvimento, do aquecimento seletivo do consumo, escolherem (eles sim!) os “campeões nacionais”. E, com um país sem bancos públicos, poderem ditar as regras da economia por que haveria um governo de joelhos ao seu bel prazer.

Armínios da vida são bem pagos para gerarem o país acima retratado e depois curtir as delícias do além-mar. É por isso que o “ministro da Fazenda” de Aécio não sabe se vai sobrar muito dos bancos e… Dos empregos, do crédito, do consumo, do salário, consequentemente. Ele sabe é que precisa colocar o câmbio ao sabor da nuvem de bilhões de dólares subsidiados pelos tesouros do G7, apertar o superávit para justificar privatizações e terceirizações das funções públicas e assegurar juros altos para aumentar os rendimentos de quem paga suas vultosas contas, sob a capa de combater a inflação do preço do tomate.

A questão eleitoral, neste caso, resume-se assim: se não precisa da CAIXA, BB e BNDES, aperte 45. Alguém se habilita? (grilos…)

Fonte: brasil247

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