Com 20 anos de PSDB em SP e vários alarmes, faz sentido Alckmin pedir água ao governo federal?

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Alckmin é a exceção que confirma a regra de que você pode enganar algumas pessoas por algum tempo, mas não todo o mundo o tempo todo.

 

O governador de São Paulo pediu 3,5 bilhões de reais a Dilma Rousseff para combater a crise hídrica. O nível dos seis mananciais que abastecem a região metropolitana apresentou nova queda na segunda-feira.

 

O problema mais grave diz respeito ao Sistema Cantareira, que opera atualmente com 11,3% da capacidade, percentual que inclui as duas cotas do famigerado volume morto.

 

São oito obras. O próprio Geraldo afirma que não se trata de solução imediata, já que algumas levariam nove meses para ficar prontas e outras até 60. Um grupo de trabalho foi montado com gente do governo estadual e do governo federal.

 

Alckmin abusa de uma espécie de bloqueio retórico-mental. Sua negação de uma série de fatos, porém, funciona como afirmação. Primeiro, insiste que não há racionamento. Depois, ao responder se a eleição atrasou uma tomada de atitude, falou que “o palanque acabou. Vamos trabalhar juntos para o benefício da população”.

 

Ou seja, enquanto o palanque estava montado, o interesse da população foi posto de lado. Por quê? Porque é assim que funciona.

 

É assombroso que em mais de duas décadas de continuidade do PSDB — alternância de poder, alguém? – no estado a questão da água tenha chegado a esse nível dramático. Esse é o choque de gestão?

 

O alarme soou para o Cantareira em 2004, quando ele era governador. Num documento de concessão de outorga à Sabesp, estipulava-se a necessidade de “estudos e projetos que viabilizem a redução da dependência do sistema”.

 

Em 2008, o Plano Diretor de Recursos Hídricos para a Macrometrópole Paulista apontava que o atual sistema de abastecimento das 180 cidades deixaria pelo menos 79, entre elas São Paulo, Campinas, Piracicaba e Santos, com falta de água se houvesse “cenário equivalente ao da pior seca da história, entre 1951 e 1956″.

 

O estudo registrava que a região “não dispõe de dispositivos hidráulicos capazes de garantir o suprimento quando da ocorrência de eventos críticos de escassez.” O relatório apontava que teriam de ser investidos de 4 bilhões a 10 bilhões em novos reservatórios, captações e sistemas de transferência.

 

O que Geraldo entregou em 2004? Duas promessas: o fim das enchentes na Marginal Tietê e, veja que maravilha, a possibilidade de navegar no rio defunto. O aprofundamento da calha, no valor de 688 milhões de reais, seria acompanhado da construção de jardins floridos. “Teremos um Tietê muito mais saudável”, disse ele.

 

Dez anos depois, enchentes continuam parando o trânsito na marginal, aquele esgoto continua obsceno, a situação do Cantareira piorou, Alckmin passou o chapéu em Brasília e os paulistanos não ficarão sequer a ver navios porque não haverá água para tanto.
Fonte: contextolivre

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