Dilma em debate: “Tenho certeza que o Brasil está mudando para melhor”

Dilma Rousseff e Aécio Neves durante o debate do UOL, SBT, Folha e Jovem Pan no segundo turno, em São Paulo. Fotomontagem/Fotos públicas
Dilma Rousseff e Aécio Neves durante o debate do UOL, SBT, Folha e Jovem Pan no segundo turno, em São Paulo. Fotomontagem/Fotos públicas

No debate entre os candidatos à Presidência da República, organizado pelo SBT, UOL e Jovem Pan, no início da noite desta quinta-feira (16), mais uma vez  ficaram evidentes  a arrogância e o autoritarismo por parte do candidato do PSDB, Aécio Neves, que por várias vezes desrespeitou a presidenta e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, atribuindo a ela difamações, método claramente utilizado para se esquivar das questões levantadas.
Na abertura do debate, em suas considerações iniciais, a presidenta falou do seu projeto de governo e o comparou com as gestões anteriores. “Eu sou defensora de um modelo diferente para o Brasil do que governou antes, até 2002. Um Brasil que emprega, ao contrário de um Brasil que desemprega. Um Brasil que cria oportunidades iguais para todos, contra um Brasil da exclusão e um Brasil da desigualdade. Um Brasil que vai governar para todos, contra um Brasil que não foi governado para todos.”

Dilma lembrou ainda que faz parte de um projeto que construiu as bases para um Brasil mais moderno, inclusivo, produtivo e competitivo, onde a educação estará no centro de tudo, e completou dizendo que faz parte de um projeto que vê na justiça social as condições para a união nacional. Um projeto que quer levar avanços, segurança, saúde, transporte de qualidade para todos.

Quando se iniciou o debate com perguntas entre os candidatos, do começo ao fim, Aécio Neves usou de estratégias autoritárias, baixando o nível por várias vezes e agredindo a presidenta verbalmente.

Combate à corrupção

Logo na primeira pergunta Aécio tocou no caso da Petrobras, insinuando responsabilidades de Dilma, que revidou. “A Polícia Federal investigou e vai punir implacavelmente porque construiu provas, passou para o Ministério Público. E agora, candidato, a Justiça vai julgar. E isso significará que o Brasil pela primeira vez vai ter de fato o combate sistemático à corrupção. Candidato, no debate passado, eu lhe perguntei: Onde estão os corruptos da compra de votos para a reeleição? Todos soltos. Onde estão os corruptos do metrô de São Paulo, e dos trens? Todos soltos. Onde estão os corruptos da ‘pasta rosa’? Todos soltos. Onde estão os corruptos do processo Sivam? Todos soltos. Onde estão os corruptos da ‘privataria tucana’? Aquela do limite da irresponsabilidade? Todos soltos. Quero dizer para o senhor, eu tenho um compromisso diferente. O meu compromisso é investigar e punir.”

Dilma citou ainda uma denúncia publicada no site de notícias UOL nesta quinta-feira (16) apontando que o ex-diretor da Petrobras afirmou ao Ministério Público Federal que o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, recebeu propina para esvaziar uma CPI da Petrobras. E ironizou: “Veja o senhor que é muito fácil o senhor ficar fazendo denúncias. Por isso é que eu digo que o que importa, candidato, quando a gente verifica que o PSDB recebeu propina para esvaziar uma CPI, é investigar, saber como recebeu, quando recebeu, e para quem distribuiu. Por isso que a gente tem de investigar, doa a quem doer”.

Como já havia dito no debate passado, Dilma, por sua vez, citou o caso de nepotismo, que não é permitido por lei, e listou um tio, uma irmã, três primos e três primas empregados por Aécio em Minas, dizendo que todos esses casos não foram explicados pelo candidato do PSDB. A presidenta apontou que, apesar de Andrea Neves [irmã de Aécio] ter assumido cargo de voluntária, era responsável por verbas de comunicação do governo mineiro, e perguntou por que não foi esclarecida a acusação de favorecimento de veículos de comunicação da família de Aécio. “Todo mundo sabe que ela era responsável pela destinação de verbas relativas à propaganda. Quanto vocês colocaram nas três rádios e jornal que vocês possuem?”, pressionou Dilma.

Visivelmente nervoso e descompensado, Aécio respondia com acusações caluniosas contra Dilma e ainda assim, dizia que tudo que ela dizia não passava de mentira. Dilma citou documentos e instituições jurídicas que comprovavam o que ela estava dizendo.

“Antes de elevar completamente o nível do debate, já que você o abaixou, candidato, não é possível que você se esconda atrás do fato de que investigar significa também investigar o seu partido. O senhor não pode apontar o dedo só para um partido, aponte para todos os partidos, candidato. Vocês nunca deixaram investigar. Minas engavetava, na sua época, todos os processos. Vocês não deixavam nada ser investigado”, alfinetou Dilma.

Quando Aécio começou a falar sobre emprego, Dilma disparou: “Vocês nos entregaram o país com 11 milhões e 400 mil desempregados, a segunda maior quantidade de desempregados, só ganhávamos da Índia, e uma vitória muito ruim, candidato. Agora, eu não vou combater a inflação com os métodos do senhor. Que é desempregar, arrochar o salário e não investir. Vocês falam que querem fazer a inflação convergir para 3%. Ora, é importante que a dona de casa que está nos escutando saiba, vou falar para ela, o que acontecerá se ela for para 3%? Nós vamos ter uma taxa de desemprego de 15. Ele está se queixando de uma taxa de desemprego de 5. Hoje nós temos no Brasil, neste ano, quase um milhão de empregos criados”.

A presidenta Dilma voltou a condenar o uso do dinheiro público para interesses pessoais ou fins particulares, lembrando que a família de Aécio Neves detinha a chave do aeroporto do município de Cláudio (MG), construído com recurso público. “Não podemos mais tolerar o uso de bens públicos para beneficiar A, B ou C, privadamente. É errado, sim, colocar um aeroporto feito com dinheiro público na fazenda de um tio”, destacou.

Dilma Rousseff lembrou que os gestores públicos devem atestar sua seriedade e idoneidade na administração do recurso público. “Ninguém tem atestado de virtuosidade. Temos de provar, a cada dia, que nós temos respeito pela coisa pública, que não mexemos com dinheiro público em nosso benefício, não empregamos parentes nossos; e que não mexemos com a coisa pública em benefício de quem quer que seja a não ser do povo. Este deve ser um critério republicano arraigado dentro da gente. Dinheiro do governo é coisa pública e ninguém pode tergiversar sobre isso”, frisou.

A presidenta confrontou novamente o candidato Aécio Neves sobre o baixo investimento na educação e saúde mineira, durante o período que ele foi governador de Minas Gerais. Dilma lembrou que o seu governo teve de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta, por determinação do Tribunal de Contas. “A verdade é que somado, subtraído e dividido, o governo do senhor deixou de investir R$ 7,8 bilhões na saúde e R$ 8 bilhões na educação”, denunciou. “Como é que o senhor acha que pode se furtar de explicar uma coisa dessas?”, questiona. “E de repente o site do Tribunal de Contas saiu do ar”, disse Dilma.

Lei seca

A presidenta questionou ainda o candidato sobre a importância da Lei Seca para salvar vidas dos brasileiros no trânsito, sobretudo dos mais jovens. “Todos os anos, 40 mil pessoas morrem e outras centenas de pessoas sofrem consequências por acidentes de trânsito. Muitos acidentes ocorrem porque há motoristas dirigindo drogados ou embriagados. Por isso, acho muito importante a Lei Seca para o Brasil, que sancionei em 2012”, disse, lembrando que nunca dirigiu embriagada ou drogada.

Considerações finais

No final do debate, Dilma se colocou como representante do projeto que diminuiu a exclusão social e lembrou que no passado os governos só governavam para as elites: “Meu governo olha pra todo o povo brasileiro. Tenho certeza que o Brasil está mudando para melhor”, afirmou. “O povo hoje tem alternativas que nunca teve antes, no que se refere a emprego, oportunidade de estudo, construção de uma vida melhor.”

Ao lembrar que a economia mundial passa por uma crise, a presidenta reafirmou que ainda assim o seu governo garantiu que os efeitos da crise não atingissem a população. “Vivemos um momento especial, em que a crise internacional afeta a economia brasileira. Mas saímos dessa crise enfrentando ela de peito aberto, garantindo emprego, renda e lutando sistematicamente para que nosso país viva melhor.”

Dilma reiterou suas principais propostas para o próximo mandato: “Reeleita, quero fazer ainda mais: garantir a todos os brasileiros educação de qualidade, saúde de qualidade, e quero também manter essa trajetória de distribuição de renda que melhora a vida de todos os brasileiros.”

Após o debate

Em entrevista ao vivo, exclusiva ao SBT, a presidenta comentou o desenvolvimento do país, que hoje tem distribuição de renda, que vai garantir mais um salto do Brasil à frente, centrado basicamente na educação. A presidenta comparou o Brasil de hoje com o Brasil da época do governo do PSDB. “É inequívoco que hoje estamos em uma situação socialmente melhor do que estivemos anos atrás, no governo do pessoal do PSDB. Hoje o Brasil tem distribuição de renda, aplica investimentos também em todas as demais áreas de infraestrutura e na melhoria das condições de vida nas cidades.”

Ao fim da entrevista, a presidenta teve uma queda de pressão, mas se restabeleceu e voltou a conceder a entrevista, desta vez em coletiva para toda a imprensa.

Por fim, Dilma comentou o debate. “O debate se centra muito nos conflitos e perde-se um pouco do conteúdo que seria necessário, que traria também uma melhor compreensão dos caminhos do país. Então eu gostaria que ele tivesse outra pauta, mas ele não começa com outra pauta. Então eu, como candidata, sou obrigada a enfrentar este conflito e a solucioná-lo.”

Da Redação do Vermelho

Fonte: Vermelho

Leave a Response