Movimento Mulheres em Luta de São Paulo lança a campanha: “Não me encoxa que eu não te furo!”b

Por Isadora Otoni

Armas de choque e spray de pimenta foram dispensados (Reprodução/Facebook)

Armas de choque e spray de pimenta foram dispensados (Reprodução/Facebook. Foto de capa: Usuários do Metrô/Facebook)

Em 2014, 26 casos de abusos no transporte público de São Paulo já foram denunciados. Mas, por causa da pouca quantidade de denúncias contra os “encoxadores”, esse número pode ser muito maior. Já que o Poder Público pouco se manifesta sobre o assédio às mulheres, coletivos feministas estão dando seu próprio jeito.

Desta vez, o Movimento Mulheres em Luta de São Paulo propôs um meio alternativo de autodefesa. Não se trata de armas de choque e nem de spray de pimenta: a arma da vez é um alfinete. O coletivo distribuiu por pontos de transporte público alfinetes, lançando a campanha “Não me encoxa que eu não te furo!”.

“O primeiro responsável por essa situação é o governo do Estado que não dá condições dignas de transporte para a população. Em segundo lugar, é necessária também, a educação e coação no próprio transporte público”, manifestou uma integrante do grupo. “Ausentes todas essas medidas, em meio ao caos e situação de barbárie, nossa obrigação é assegurar o direito de autodefesa das mulheres.”

Campanhas

A ONG Minha Sampa também iniciou uma mobilização contra o assédio sexual. No site “Abusadores não passarão!”, os internautas podem enviar um e-mail para o presidente do Metrô, Luiz Antonio Carvalho Pacheco, pedindo uma campanha contra o assédio. A mensagem é feita de forma automática, bastando preencher três campos de um formulário. O telefone do gabinete do presidente também é informado no endereço virtual.

Nesta quinta-feira (3), Natália Lausch contou via Facebook que uma campanha federal será iniciada. Segundo ela, a jornalista Nana Queiroz, da mobilização online #EuNãoMereçoSerEstuprada, recebeu um telefonema da secretária de Políticas para Mulheres, a ministra Eleonora Menicucci, prometendo uma campanha educativa contra o assédio.

As mobilizações se devem à grande repercussão que uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) teve na semana passada. Segundo o estudo, 65% dos brasileiros acreditam que“Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.

Já um comercial veiculado na rádio Transamérica no dia 25 de março, reforçou a ideia de que o transporte público é um lugar propício ao assédio. Em meio a elogios ao governo do estado de São Paulo, o locutor anunciou: “Trem lotado é bom pra chavecar a mulherada”.

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