MPA realiza Jornada Nacional de Lutas por Soberania Alimentar em todo o país

Ações iniciaram na segunda-feira (14) e vão até esta sexta (18); moradia e educação no campo são algumas das outras pautas da jornada
Ações iniciaram na segunda-feira (14) e vão até esta sexta (18); moradia e educação no campo são algumas das outras pautas da jornada

da Redação

 

Camponeses de todo o país protestam por melhores condições de sobrevivência no campo durante a Jornada Nacional de Lutas por Soberania Alimentar. Organizada pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) desde o início da semana, a mobilização vai até sexta-feira (18) em pelo menos 15 estados.

O principal ponto da jornada é o diálogo com a sociedade sobre a soberania alimentar, entendida como a produção e comercialização da comida local, vinculada à cultura e ao modo de vida do povo e livre dos grandes mercados do ramo de alimentação.

Assembleias, marchas e ocupações são realizadas nesta semana devido ao Dia Internacional da Soberania Alimentar, celebrado em 16 de outubro. O objetivo das ações é conscientizar a população sobre o acesso a uma alimentação saudável em quantidade e qualidade.

 

Jornada

Como parte das ações da jornada, nessa quarta-feira (16), movimentos sociais do campo ocuparam o Ministério da Agricultura, em Brasília (DF). O objetivo da mobilização foi reivindicar que o governo promova desapropriação de terras para a reforma agrária, institua uma política econômica de crédito para os camponeses e encontre uma solução definitiva das dívidas.

De acordo Alexandre Conceição, da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a jornada unitária, que faz parte das ações conjuntas dos movimentos para enfrentar o agronegócio, é uma forma de pressionar o governo para que desenvolva políticas publicas agrárias para o campo.

“O governo Dilma abandonou a reforma agrária. Enquanto o agronegócio avança sem limites de regras democráticas na agricultura brasileira, o campesinato sofre com a falta de desapropriação de terras, com o endividamento crônico e a ausência de uma política econômica de crédito”, afirma.

Hoje no Brasil, cerca de 800 mil famílias camponesas estão atoladas no endividamento crônico. O governo não apresentou nenhuma medida efetiva para solucionar a questão.

Para o secretário de políticas agrárias da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Zenildo Pereira, a unidade camponesa se faz necessária para intensificar o processo de luta e resistência ao avanço do agronegócio no campo. “Essa ação conjunta pauta a reforma agrária e nosso posicionamento contra o agronegócio que avança de maneira feroz sobre o campesinato brasileiro, somos contra o grande projeto de desnacionalização que diariamente põe em risco a soberania do povo brasileiro” salienta.

Os povos ribeirinhos também tem sofrido com essa ofensiva do capital, constantemente seus territórios vem sendo ameaçado por suas diversas formas de atuação. Para Marizélia Carlos, do Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil (MPP), “a defesa da soberania alimentar está ligada a defesa dos nossos territórios, pois é lá que produzimos alimentos saudáveis. O ministério da Pesca está com um projeto de aquicultura em grande escala que visa a privatização das águas públicas e põe em risco a população ribeirinha que tem a pesca artesanal como modo de vida”, denuncia.

 

Pressão

No último período, as lutas e mobilizações dos movimentos sociais do campo têm ocorrido de forma unificada para pressionar o Estado brasileiro em uma maior dimensão. O intuito é afirmar a luta dos povos campesinos brasileiros pelo direito à terra e dar continuidade ao processo de unidade dos respectivos movimentos. Confira algumas ações:

Mais de duzentos camponeses organizados pelo MPA ocuparam na segunda-feira (14) o prédio da prefeitura de Jaru, em Rondônia. Já na Paraíba, movimentos realizaram uma marcha pela reforma agrária e contra a violência no campo. Cerca de 2.500 camponeses participaram da marcha, iniciada na manhã de segunda feira. Eles saíram do acampamento Wanderley Caixe, na Cidade de Caaporã, divisa da Paraíba e Pernambuco, em direção à cidade de João Pessoa. Foram dois dias de marcha e mais de 70 km de caminhada rumo à capital da Paraíba pela BR 201.

No Espírito Santo, mais de 1.500 camponeses participam da jornada em Vitória. Vindos de mais de 30 municípios, integrantes do Movimento dos Pequenos Agricultores ocuparam, na terça-feira (15), a Secretaria de Agricultura do estado. O movimento cobra respostas efetivas quanto à demanda da agricultura camponesa, historicamente ignorada e marginalizada.

Ainda na terça, cinco mil camponeses do nordeste ocuparam a 36ª Unidade de Pesquisa da Monsanto no Brasil, localizada no distrito de irrigação Nilo Coelho, em Petrolina (PE). E em torno de 1.200 trabalhadores ligados à Via Campesina, ao Movimento dos Trabalhadores Desempregados, à Federação dos Metalúrgicos e ao Levante Popular da Juventude ocuparam o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Porto Alegre (RS). Em pelo menos 11 cidades do interior do estado ocorreram ocupações das agências bancárias.

Já em Belo Horizonte, centenas de atingidos por barragens ligados ao Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) no estado de Minas Gerais ocuparam Departamento Nacional de Produção Mineral.

Também na terça-feira, cerca de 400 militantes dos diversos movimentos sociais que formam a Via Campesina em Santa Catarina ocuparam o Incra. Ainda realizaram na Universidade Federal de Santa Catarina uma aula aberta sobre a questão do petróleo e entregaram pedidos para a Fundação do Meio Ambiente (FATMA), órgão estadual do meio ambiente, para denunciar a situação dos atingidos por barragens no estado.

Na quarta-feira (16), cerca de 300 famílias ocuparam a Fazenda União na região de Iaras, município de Borebi, interior de São Paulo. A área faz parte do núcleo colonial monções, um conglomerado de 40 mil ha de terras públicas da união invadidas por empresas do agronegócio e fazendeiros. Em Ribeirão Preto (SP), assentados ocuparam a prefeitura municipal e o prédio da Caixa Econômica. O objetivo foi reivindicar o direito das famílias acessarem o crédito destinado para a construção de moradias. (com texto de Leonardo Ferreira, da Radioagência NP, e da Página do MST)

Foto: Wilson Dias/ABr
Fonte: Brasil de Fato.

Leave a Response