Nova presidenta da UNE defende reforma política e marco das comunicações

Eleita no último domingo, estudante da USP diz que a grande luta da entidade é por democracia e cidadania

Um novo marco das comunicações foi apontado como necessidade reconhecida pelo movimento estudantil
Um novo marco das comunicações foi apontado como necessidade reconhecida pelo movimento estudantil

São Paulo – A nova presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Virgínia Barros, reafirmou em entrevista à Rádio Brasil Atual algumas das principais bandeiras da entidade nos campos político, econômico e da educação.

A pernambucana foi eleita no domingo (2), no 53º Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Goiânia, e assume a presidência para o biênio 2013-2015. Ela é a quinta mulher a ocupar o cargo em 75 anos de atividade da UNE, que representa cerca de 7 milhões de universitários brasileiros.

“O fato de ser uma mulher é algo muito simbólico para a universidade, para o Brasil que a gente tem hoje e o que queremos construir. Hoje a maioria dos estudantes universitários são mulheres, mas nos espaços de representação estudantil ainda somos minoria, e não só no movimento estudantil, mas em todos os espaços de poder. A eleição de Dilma representou avanço neste sentido, mas ainda temos muito no que avançar”, disse.

Vic Barros, como é conhecida, tem 27 anos e é formada em Direitos pela Universidade Federal de Pernambuco. Atualmente cursa letras na USP.

Ela ressaltou os pontos que considera mais importantes para serem debatidos em sua gestão, como a destinação de 10% do PIB para a educação pública do país e a democratização dos meios de comunicação.

“Os desafios são muitos, mas a grande luta que a UNE encabeçou ao longo de sua história na luta pela democracia e a cidadania sempre foi a pauta educacional. Então agora seguimos na luta para 10% do PIB para a educação pública”.

Um novo marco das comunicações foi classificado por ela como uma necessidade reconhecida pelo movimento estudantil. “A UNE tem opinião consolidada em torno da aprovação de um novo marco das comunicações, que possibilite mais diversidade e possibilidade de maior participação popular.”

Outros pontos considerados “temas urgentes” pela entidade foram uma mudança na política econômica do país e a aprovação da reforma política. “Nossa política apresenta aspectos muito conservadores, como cortes no orçamento federal para pagamento de juros da dívida pública. É importante para nós também a aprovação de uma reforma política e democrática, que conte só com financiamento público de campanha, e garanta mais diversidade, para que mulheres e negros nos representem cada vez mais no Congresso Nacional.”

Em Janeiro, a UNE lançou em Recife (PE) a Comissão da Verdade da UNE, que apura crimes cometidos por agentes da repressão da ditadura (1964-85) contra o movimento estudantil. Vic lembrou da importância dos trabalhos das comissões deste tipo para o resgate histórico à verdade no país.

“Agora neste último Congresso apresentamos um primeiro relatório da Comissão. É fundamental resgatar esta página da história, a verdade é fundamental para o resgate da verdade histórica, para a moral do nosso povo, para que não nos esqueçamos do que aconteceu e que nunca mais aconteça.”

Fonte:  Redação RBA

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