Crianças abandonadas recebem atenção especial no Hmib

Foto: Renato Araújo SES-DF
Foto: Renato Araújo SES-DF

Hospital atua em parceria com a Vara da Infância dentro do Núcleo de Apoio Terapêutico da unidade

BRASÍLIA ( 15/7/14) – O Núcleo de Apoio Terapêutico do Hospital Materno-Infantil de Brasília (Hmib) oferece atendimento especializado a recém-nascidos abandonados. Para especialistas do Hmib, por medo ou ignorância, muitas mães, em vez de darem os bebês para adoção, acabam por abandoná-los e complicam algo que pode ser menos traumático para ambos.

 

“As mães que não quiserem ou não puderem cuidar de seus filhos podem procurar a Vara de Infância ou os assistentes sociais nos hospitais”, relatou a assistente social Cristiane Pires Scarpeli.

 

Já a assistente social do Hmib Valéria Costa explicou que o Núcleo de Apoio Terapêutico do local atua para compreender cada caso. “Ao realizar uma escuta qualificada e avaliação de todo o contexto socioeconômico, condição de saúde geral e outras variáveis são observadas questões muito mais complexas, que podem estar relacionadas ao transtorno mental de moderado a severo, uso de substâncias psicoativas e questões relativamente simples, como o local onde vai residir com o recém-nascido”, explicou a assistente.

 

CASOS RECORRENTES – As psicólogas do Núcleo de Apoio Terapêutico do Hmib vão além ao se referirem aos casos observados no Centro Obstétrico. “Essas mulheres geralmente sofreram várias formas de abandono. Isso permite entender que a entrega para adoção também representa uma forma de preservação da criança, mesmo que de maneira inconsciente”, explicaram as psicólogas Alessandra Arrais e Gabriela Lopes.

 

Essa preservação, ainda de acordo com as psicólogas, é não só das privações financeiras, mas de toda vivência que essas mulheres não querem que seus filhos experimentem, podendo, também, ser visto como um ato de amor, ainda que ambivalente.

 

REDUZIR DISTÂNCIA – O Hmib, em parceria com o Serviço Social, Núcleo de Apoio Terapêutico, conselhos tutelares e a Vara da Infância, tenta reduzir a distância entre os que desejam um filho e as crianças que buscam uma família. E esse processo muitas vezes começa no próprio hospital.

 

No Hmib, quando a mãe manifesta a vontade de entregar o filho à adoção, o Serviço Social é acionado pela própria ou pela equipe de saúde, e o caso é acompanhado por psicólogos. “A maternidade é um momento sensível e, muitas vezes, esse desejo é momentâneo, pode passar após elas se envolverem com a amamentação e receberem o carinho dos familiares. Por isso, estamos atentos ao tempo necessário para cada mãe tomar essa decisão”, comentou Cristiane.

 

O trâmite inclui entrevistas e preenchimento de formulário específico, como declaração, porque há a possibilidade de alguém da família assumir a criação da criança ou de a mãe desistir. O Serviço Social encaminha relatório médico e solicitação para adoção à Vara da Infância, que faz a última entrevista com a mãe e formaliza o processo. Assim, após a alta hospitalar, a criança é recolhida a um abrigo para esperar a concretização do processo.

 

Uma criança em situação de abandono só poderá ser adotada se os pais estiverem desaparecidos ou forem destituídos do poder familiar por um procedimento judicial.

 

Para a coordenadora-geral de Saúde da Asa Sul, Roselle Bugarin Stenhouwer, o papel do hospital é oferecer escuta qualificada, acolhimento sem preconceito e, principalmente, orientação segura às mães que querem deixar o filho para adoção. “Temos de ser a ponte que permite que a história do bebê possa ter um novo caminho, cumprindo, assim, nossa missão social “, concluiu Roselle.

 

(A.F./C.C*)

Da Redação, com informações da Secretaria de Saúde

Fonte: GDF.GOV

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