Primeira edição nacional da Expo Hip Hop deve atrair 50 mil pessoas

Foto: Pedro Ventura
Foto: Pedro Ventura

Evento vai acontecer em Ceilândia e terá a participação de artistas consagrados; programação variada vai de batalha de MCs a oficina de grafite

 CEILÂNDIA (28/5/14) – Berço dos primeiros e maiores grupos de rappers de Brasília, como Câmbio Negro, Tropa de Elite e Filosofia Negra, hoje conhecidos mundialmente, Ceilândia foi escolhida para sediar a 1º Expo Hip Hop do Brasil, de 30 de maio a 1º de junho. O festival, que já aconteceu na Califórnia e no México, deve reunir 50 mil pessoas.

 

Mais de 70 artistas, entre rappers, grafiteiros, dançarinos, MC’s, DJ’s e atletas, vão se apresentar no evento. Além de Gabriel o Pensador e GOG, nomes como NDEE Naldinho e Thaíde, fundadores do Movimento Hip Hop, Edi Rock e KL JAY, dos Racionais MC’s, já confirmaram presença.

 

O festival terá dois grandes palcos, parque de exposição, praça de alimentação, parque de diversões, jogos urbanos e a 3ª Etapa do Circuito Brasiliense de Skate. Haverá, ainda, batalhas de MC’s e de B.Boys, exibição de filmes, oficinas de graffiti, campeonato de break e basquete de rua. A área, com mais de 10 mil metros quadrados, também sediará o 1º Fórum de Cultura Urbana da região, onde serão discutidos o genocídio da juventude negra no Brasil e a “falsa abolição”.

 

A entrada é franca, mas os organizadores da festa pedem a doação de 1kg de alimento não perecível, que serão repassados a entidades socioassistenciais.

 

“Ceilândia é o celeiro do hip hop no Brasil. Aqui temos o campeão brasileiro de dança e grandes expoentes dessa cultura. O evento, além de mostrar a força do hip hop, vai usar essa força a favor da periferia”, disse um dos organizadores do evento, Johnny Costa.

 

O festival é promovido pelo Movimento do Hip Hop Organizado do DF (MH²O-DF), em parceria com o GDF, por meio das secretarias de Governo, de Cultura e de Igualdade Racial com a administração regional da cidade.

 

O GDF, além de contratar artistas, disponibilizou a estrutura, com palcos, tendas, banheiros químicos e área de exposições. O investimento total é de R$ 700 mil.

 

“A ideia de fazer essa exposição nasceu há 15 anos, observando a ExpoTchê. Mas só se concretizou agora porque o GDF a apoiou com força total. Sem o incentivo se tornaria impossível”, disse Marquinho, vocalista do grupo Tropa de Elite e participante da organização.

 

HISTÓRIA – A cultura hip hop no DF tem forte ligação com Ceilândia. A cidade foi berço de dezenas de grupos de rap, sobretudo na década de 90, que hoje são conhecidos internacionalmente.

 

A história de Marquinho, vocalista do Tropa de Elite, por exemplo, se mistura com a do hip hop na cidade. Rapper há 22 anos, Marquinho já se apresentou diversas vezes fora de Brasília e já atuou em filmes premiados sobre a cultura da periferia da cidade. “A música é minha vida”, resumiu.

 

Na opinião do sociólogo Breitner Tavares, professor da UnB e autor do livro Na quebrada, a parceria é mais forte (Anna Blume, 2012), que estuda o movimento no DF, o hip hop ceilandense tem mostrado profissionalização.

 

“O evento mostra isso. Também é uma oportunidade de refletir sobre as possiblidades do hip hop, de criar novos projetos, de fazer um balanço dos últimos 30 anos e de discutir o que construir daqui pra frente”, disse.

 

Atualmente, alguns grupos da cidade representam o Brasil em competições no exterior, como é o caso do DF-Zulu, que se apresentou há dois meses na França. Um de seus integrantes, Will, já ganhou competições de dança na Argentina e em Portugal. Para competir em outros países, o grupo concorre a recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) de apoio a viagens.

 

Alguns grupos usam o hip hop com propósitos educativos. O projeto “Rapensando”, por exemplo, já visitou mais de 50 escolas públicas para dar palestras sobre trânsito e drogas para estudantes de 8 a 19 anos.

 

SERVIÇO:

1ª Expo Hip Hop do Brasil

Data: 30 e 31 de maio e 1º de junho (sexta-feira, sábado e domingo)

Horário: das 9h à meia-noite

Local: Praça do Trabalhador – QNM 13, Área Especial, – ao lado da Administração Regional

Classificação: Livre

 

(B.F./M.D*)

Beatriz Ferrari, da Agência Brasília

Fonte: GDF.GOV

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