CNTE lança campanha para tirar das escolas nome dos ditadores

Há 50 anos o Brasil tornou-se refém da ditadura militar. Hoje, enquanto vítimas do golpe são esquecidas, escolas carregam o nome de pessoas que colaboraram para a queda do governo democrático e para a imposição de um regime de terror no país naquele fatídico 31 de março.

Em Salvador, a escola que tinha o nome do ex-ditador Garrastazu Médici mudou para Carlos Marighella.
Em Salvador, a escola que tinha o nome do ex-ditador Garrastazu Médici mudou para Carlos Marighella.

De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 976 escolas públicas têm nomes de presidentes daquele período que envergonha a história brasileira. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) quer celebrar a resistência da sociedade contra o estado de exceção e mudar esse número.

E criou um site colaborativo para destacar o retrocesso na educação brasileira e lembrar os trabalhadores perseguidos por um regime que cassou direitos individuais, coletivos e políticos, abusou da integridade física e psíquica de milhares de pessoas, impôs ideologias conservadoras à sociedade, perseguiu, prendeu, torturou, exilou e matou cidadãos e cidadãs, cujos crimes (muitos deles) ainda carecem de elucidação e/ou reconhecimento por parte do Estado.

A campanha inclui um amplo movimento de mudança de nomes de escolas que homenageiam agentes patrocinadores do golpe militar e os ditadores de plantão. A ideia é propor projetos de iniciativa popular às Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores, após a realização de amplo debate com a comunidade escolar, a fim de legitimar o pleito.

O site explica como propor a mudança, incentivando a sociedade a rever as homenagens prestadas aos algozes do povo brasileiro que dão nomes, ainda, a praças, ruas, avenidas, estádios e ginásios esportivos Brasil afora.

Em Salvador, o Colégio Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici, fundado em 11 de abril de 1972 com o nome do ditador, agora leva o nome do herói baiano morto pela ditadura, passando a chamar-se Colégio Estadual do Stiep Carlos Marighella. Em 14 de fevereiro deste ano, a instituição de ensino passou por uma mudança de nome, através de uma eleição direta reivindicada pela comunidade escolar.

Da Redação em Brasília
Com informações da CNTE

Fonte: Vermelho

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