Em Jornada de Lutas, Sem Terra ocupam perímetros irrigados para denunciar agronegócio

Reprodução MST
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A ação é realizada pelo MST, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Cáritas, Movimento 21, Sindicato dos Trabalhadores de Apodi e tem apoio da Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio do Núcleo Tramas, e da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e Fafidam

 

Da Adital

Cerca de 1 mil trabalhadores ligados à movimentos sociais ocuparam o perímetro irrigado na chapada do Apodi, em Limoeiro do Norte, Estado no Ceará. O objetivo da ação é denunciar a ofensiva do agronegócio na região, exigir o assentamento de mais de 100 mil famílias acampadas e o julgamento e condenação dos responsáveis pelo assassinato de trabalhadores rurais.

Os trabalhadores denunciam que dos 10 mil hectares do projeto de irrigação na região, 4 mil estão invadidos e grilados por empresas nacionais e transnacionais do agronegócio. Os movimentos sociais exigem a retomada dessas áreas pelas famílias camponesas. De acordo com o dirigente estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Marcelo Matos, o acampamento tem caráter permanente. “Vamos ficar acampados e queremos audiência com representantes do governo”. Os manifestantes aguardam negociação com o Departamento Nacional de obras Contras Secas (Dnocs), Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário (SDA), Ministério da Integração Nacional e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

A ação, que faz parte da Jornada Nacional de lutas, é realizada pelo MST, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Cáritas, Movimento 21, Sindicato dos Trabalhadores de Apodi e tem apoio da Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio do Núcleo Tramas, e da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e Fafidam.

O MST denuncia ainda que, na última sexta-feira, 02 de maio, dois pistoleiros atacaram famílias Sem Terra acampadas no município de Ibaratema, também no Ceará. Dois acampados foram baleados e a situação deles é crítica. Um dos pistoleiros foi preso, mas o outro está foragido. Segundo o membro do MST Ivanildo Paz, os acampados estão assustados. Desde o dia 22 de abril, 237 famílias do MST acampam em Ibaratema, em frente à Fazenda Bonito, e reivindicam a desapropriação desta e outras áreas, além da construção de 200 casas para os assentados.

Uma mobilização organizada pelo MST, Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Central única dos Trabalhadores, Sindicato dos Servidores Públicos de Quixeramobim e CPT também levou mais de 1 mil pessoas em marcha pelas principais ruas de Quixeramobim (Ceará). O protesto, em alusão ao 1° de maio, Dia do Trabalhador/a, era também para entregar ao prefeito Cirilo Pimenta uma pauta conjunta de reivindicações da classe trabalhadora. Ficou agendada uma audiência para a esta quarta-feira, 07. Já os camponeses tiveram uma audiência com o prefeito na qual tratataram de diversos pontos, como reforma de estradas, acesso à água e criação de um fundo municipal para a convivência com o semiárido.

Durante a manifestação, o prédio da agência da Caixa Econômica Federal foi ocupado pelos agricultores para reivindicarem a assinatura do contrato das casas do acampamento Irmã Tereza. O MST também cobrou da Caixa o Programa Nacional de Habitação Rural nas áreas de assentamentos, ficando acertado que o tema será debatido em audiência com o Incra, MST e Caixa nas próximas semanas, em Quixeramobim.

Já na Bahia, desde a última terça-feira, 29, cerca de 400 famílias do oeste, norte e nordeste do Estado, ocupam o Projeto de irrigação do Baixo de Irecê, no município de Xique-Xique, próximo a comunidade Boa Vista. A ocupação visa a garantir que os pequenos agricultores e Sem Terra que residem ao redor do empreendimento tenham acesso a terra e água, concentrados nos canais da empresa.

No Estado de Tocantins, mais de 150 famílias do MST, do acampamento Carlos Marighela, ocuparam a Fazenda Novo Mundo, no município de Araguatins, nesta quinta-feira, 1º. Segundo os Sem Terra, a área pertencente à família de Pedro Vilarino é improdutiva e está abandonada. A ação dos trabalhadores Sem Terra é uma resposta à morosidade do Incra, que, segundo eles, há seis meses o órgão federal já deveria ter iniciado o processo de desapropriação da área para o assentamento das famílias.

Essas ações fazem parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, que, este ano, concentra a maior parte de suas ações entre os dias 28 a 10 de maio. As pautas de reivindicações incluem: destinação das terras ociosas e griladas nos perímetros irrigados para a reforma agrária, baseada na agricultura camponesa e agroecológica; assentamento das famílias acampadas; garantia de água para consumo humano e produtivo; solução dos problemas da seca; não fechamento das Escolas do Campo; alfabetização de Jovens e Adultos; não privatização dos assentamentos; projetos de infraestruturas produtivas e hídricas; assistência Técnica nos assentamentos; construção de Moradias e Escolas para as famílias; agilidade na punição dos mandantes e executores de Sem Terra, entre outras.

Fonte: Brasil de Fato

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