Em seminário internacional, CUT/SP destaca necessidade de movimento sindical ser protagonista na democratização da comunicação

Imagem da Internet
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Na abertura do seminário sindical internacional Comunicação: O desafio do século, na manhã desta segunda-feira (28), dirigentes e lideranças sindicais aproveitaram a aprovação do Marco Civil da Internet no Congresso nacional para destacar a importância de a classe trabalhadora assumir a democratização dos meios de comunicação como uma das bandeiras prioritárias de luta.

Organizado pela CUT São Paulo, em parceria com a Fundação Friedrich Ebert, Fundação Perseu Abramo e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a atividade reuniu cerca de 200 pessoas. O evento integra a programação do 1º de Maio, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora 2014. Este é o quinto seminário internacional que a CUT estadual realiza com a presença de diferentes países, mas é a primeira vez que aborda o tema.

O presidente da CUT São Paulo, Adi dos Santos Lima, apontou o caráter de protagonista que o movimento sindical deve exercer. “Escolhemos essa bandeira em um período em que a Central completa 30 anos no estado. Como parte das atividades realizamos um concurso fotográfico sobre o trabalho decente para desafiar os trabalhadores profissionais e amadores que se expressam por meio da imagem”, explicou.

A secretária de Comunicação da CUT Nacional, Rosane Bertotti, reeleita no último final de semana como coordenadora do Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação (FNDC), ressaltou o papel do movimento sindical. “É preciso ter decisão política do centro do comando do país, como a Dilma sancionar o Marco Civil da Internet. Mas temos que continuar fazendo pressão enquanto movimento sindical e social por nossas bandeiras. Neste ano de Copa, estaremos nas ruas pelo trabalho decente e também nas eleições porque acreditamos em um projeto democrático e popular”, destacou a dirigente, para quem o 1º de maio é dia de festa, mas também de reflexão para a democratização da mídia.

O secretário de Relações Internacionais da CUT Nacional, João Antônio Felício, disse que o desafio é romper com o monopólio dos meios de comunicação. “A grande imprensa controla a informação e divulga o que melhor cabe à ela. Mas isso muitas vezes significa informar errado sobre alguma situação, o que é um grande ataque à democracia”, pontua.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, o movimento sindical precisa encontrar alternativas para comunicar e romper com o poderio de grupos. “A nossa maior experiência é a construção da TVT. Precisamos ter clareza da importância do nosso papel. Os trabalhadores têm que aumentar o raio de alcance e atuação”.

A diretora da Fundação Friedrich Ebert, Tina Hennecken, parabenizou a CUT pela construção do seminário internacional e ressaltou ser um momento importante no Brasil, pois o país passa por transformações na área política, social e democrática. “Vimos as grandes manifestações do ano passado, principalmente por meio das redes sociais, que nos mostraram a vontade do povo em se expressar. A internet tem essa força de democratizar informações e acontecimentos”, falou.

Tina destacou ainda o marco civil como uma vitória das classes populares. “Uma regulamentação mais progressista é um desafio. Esse seminário é um espaço para refletirmos juntos estratégia para avançarmos”.

O deputado federal Vicentinho também esteve no seminário. Convidado ao palco, ele falou sobre a influência da mídia no Brasil. “A comunicação tem ideologia, tem lado. Antes de Lula ter sido eleito, ele era chamado de analfabeto, de burro e de nordestino, de forma pejorativa. A mídia contribuiu com isso. O Lula foi eleito e passou a ser apresentado diferente. O marco civil da internet é uma grande vitória e temos lutado no Congresso para avançarmos. Um exemplo é o projeto criado para que as centrais sindicais tenham espaço na televisão. Mas a revista Veja foi a primeira que se colocou contra”, concluiu.

Fonte: CUT

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